Star Wars e teatro inclusivo

 Stars Wars, Teatro e Educação Inclusiva. Combina?


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        Uma saga de filmes que começou em 1977, com os famosos personagens Han Solo, Princesa Leia e Luke Skywalker ainda vive no coração de muitas pessoas. Através das ideias principais desse mundo, foi pensado uma proposta de atividade com o público da Educação Especial. Está curioso pra saber como isso é possível? Então vamos lá.

        Hipoteticamente temos uma turma de 7° ano do Ensino Fundamental com dois estudantes com síndrome de Down: Luisa e Hugo. Os mesmos, assim como a maioria da turma, tem grande interesse pelos filmes de Star Wars. E como proposta avaliativa, o professor sugere um mini teatro de alguma cena dos filmes que eles mais gostam.

        Como seria feita essa organização?

Partindo da personalidade dos alunos...

* Sabendo que Hugo tem grande afeição por dança, canto, contar piada, acredita-se que o mesmo poderia ser um dos atores, e seu personagem poderia ser o seu favorito: droide C3PO.

*  Luisa é tímida e não gostaria de holofotes. Então ela poderia ficar com a parte do figurino. Ela tem dotes manuais, a mesma adora confeccionar inúmeros objetos oriundos de materiais recicláveis que encontra pela escola.

* Alguns dos outros estudantes da turma devem se separar entre  personagens que mais gostam e outros devem se separar entre: diretor, roteirista, produtor, iluminação, cenário, ...

Atenção: a ideia é cada estudante ter um papel único, sem necessariamente ser algum personagem. Todos as pessoas do teatro são importantes, e a avaliação será realizada de acordo com a função que cada um exerceu.

     

        Após todas funções serem designadas, é hora da realização. Aos poucos, os estudantes vão confeccionando e ensaiando de acordo com o roteiro escrito por alguém (o professor pode analisar e sugerir melhorias, mas deve deixar os estudantes com autonomia). 

        A comunidade escolar como um todo pode ajudar nos preparativos da peça, por exemplo: as famílias podem ajudar na confecção dos figurinos e cenário. A gestão pode permitir o uso da iluminação e algum espaço amplo, como auditório da escola para o dia da apresentação da peça. Outros professores, como de Ciências ou Química podem ensinar a fazer sabres de luz com lâmina de energia iluminada em suas disciplinas e posteriormente esses objetos podem ser utilizados na peça. 

        Toda a escola pode aproveitar e se envolver no Teatro de Star Wars.


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            O teatro pode ser uma proposta avaliativa para disciplinas como Literatura, Língua Portuguesa, Artes e também como auxílio na alfabetização. 

O estudante consegue aplicar suas habilidades na própria peça que está construindo e, ainda, aprende novos conceitos educacionais, de maneira leve. A autonomia e parceria são dois dos maiores princípios dessa atividade.


A avaliação seria feita durante o processo de confecção da apresentação e na finalização do trabalho por parte do professor e dos próprios estudantes. Através da análise de cada elemento da peça e envolvimento e responsabilidade de cada estudante com sua função.


 “A prática avaliativa deve ser capaz de ir além de avaliar a aprendizagem, mas entender o valor individual de cada aluno, propiciando o seu crescimento como indivíduo e como integrante de uma sociedade. E que acima de tudo, seja uma avaliação envolvida com uma prática pedagógica real, inovadora, não excludente e muito amorosa”. (Luckesi, 1987).


            A avaliação deve promover uma consciência inclusiva e ter como aporte básico uma proposta significativa e justa. Ao pensar nas especificidades, no coletivo, na extensão das oportunidade, é possível promover uma avaliação justa.


OBRA DE TEATRO STAR WARS HISPANOAMERICANO - YouTube



Atividades avaliativas inspiradas no filme “EXTRAORDINÁRIO”




    Augie é um menino de 10 anos que gosta de sorvete, andar de bicicleta, jogar bola, ler, Star Wars e tem grande admiração pelo espaço. August mora com o pai, a mãe e a irmã Via (que estuda no ensino médio). Até os 10 anos ele teve educação exclusivamente domiciliar, aprendeu tudo com sua mãe e sua matéria favorita é Ciências. É possível que o mesmo tenha altas habilidades na área das ciências. Augie também possui síndrome de Treacher Collins, uma doença genética que afeta com mais frequência os ossos da face, a mandíbula, o queixo e as orelhas. Por conta dessa doença, Augie não pôde estudar em escolas e demanda muitos cuidados, já passou por mais de 27 cirurgias para conseguir respirar, ouvir e enxergar. Mas aos 10 anos, Augie iniciará sua escolaridade no 5° ano do Ensino Fundamental II em uma escola de verdade.

    De acordo com Perrenoud (1999), enquanto a escola der tanto peso à aquisição de conhecimentos descontextualizados e tão pouco à transferência e à construção de competências, toda avaliação correrá o risco de se transformar em um concurso de excelência. Por isso foi pensado atividades avaliativas que se preocupam em promover uma avaliação próxima do estudante e com linguagem simples para que o aluno entenda e se interesse, com um movimento de buscar conhecer esse aluno, suas especificidades, o que ele já sabe, ainda não sabe e assim construir instrumentos avaliativos eficazes.

    A turma do filme Extraordinário mostra bastante interesse pela saga Star Wars. Não só Augie, como também os outros meninos têm muito conhecimento dos personagens e história dos filmes.
    
    Aproveitando essa singularidade, podemos pensar em algumas sugestões de atividades para a turma como avaliação. Eles, inicialmente, se dividiriam em grupos, duplas, ou individualmente e depois escolheriam uma atividade proposta e em determinada data apresentariam seus trabalhos. Com isso, seria realizada uma semana de “provas” diferente nessa escola, os estudantes realizariam projetos e apresentações sobre conteúdos pedagógicos essenciais, mas sob uma perspectiva diferente. Sugestão de atividades avaliativas:

- Programação do mundo Star Wars no Minecraft.
- Construção de miniaturas de robôs dos droides C3PO e R2D2.
- Criação de sabres de luz por meio da ciência (lâmina luminosa).
- Confecção de fantoches eletrônicos dos personagens da saga.
- Estudantes darem aula sobre espaço, estrelas, lua, etc. sob a perspectiva do mundo Star Wars.
- Miniteatro de alguma cena de preferência (com escrita de roteiro, confecção de fantasias, cenário, etc).
- Concerto de uma música dos filmes (com instrumentos de verdade ou recicláveis).

    Os estudantes também podem sugerir outras atividades, mas que tenham teor pedagógico. Acredita-se que com essas sugestões os estudantes serão capazes de desenvolver competências e habilidades sociais importantes, como a capacidade de trabalhar em equipe, resiliência na condução de projetos e a resolução de problemas por meio da lógica, ciências, comunicação e linguagens artísticas. O estudante consegue aplicar suas habilidades no próprio objeto ou peça que está construindo e, ainda, aprende novos conceitos educacionais, de maneira leve. A autonomia e parceria são dois dos maiores princípios nessas atividades.

    A avaliação seria feita durante o processo de confecção das apresentações e na finalização dos trabalhos por parte do professor e dos próprios estudantes. A ideia é eles se auto avaliarem também, pois “a auto avaliação torna-se uma ferramenta importante, capaz de propiciar maior responsabilidade aos estudantes acerca de seu próprio processo de aprendizagem e de construção da autonomia.” (FERNANDES, 2007).

    Além disso, sob a “[...] perspectiva da ação avaliativa como uma das mediações pela qual se encorajaria a reorganização do saber. Ação, movimento, provocação, na tentativa de reciprocidade intelectual entre os elementos da ação educativa. Professor e aluno buscando coordenar seus pontos de vista, trocando ideias, reorganizando-as” (HOFFMANN, 1991, p. 67). Segundo Hoffman e a forma como essas avaliações foram sugeridas, é nítida a preocupação de professor e estudante construírem juntos seus processos de ensino-aprendizagem, de forma justa, singular, respeitosa e acima de tudo amorosa uns com os outros.



TODOS CONTRA O BULLYING


Uma das coisas que mais chamam atenção no filme é o bullying e a falta de respeito das pessoas com as diferenças. Seguindo a ideia do diretor Buzanfa “não podemos mudar a aparência do Augie, mas podemos mudar nossa forma de vê-lo”, presta atenção nas seguintes atividades pedagógicas que a escola poderia promover como espaço de respeito e aprendizagem cidadã:

- Em uma situação hipotética em que uma escola recebesse um estudante novo incluído (com deficiência, autismo, deformidades, diferenças peculiares e/ou com superdotação, etc.), acredito que o ideal é prevenir quaisquer formas de violências e desconfortos para esse recém aluno. Se por exemplo, for um aluno com autismo, pode-se realizar um projeto de inclusão para toda a comunidade escolar, sendo o professor de AEE o principal gerenciador desse projeto, mas que todos os funcionários da escola participem também. A ideia seria realizar atividades sobre assuntos que envolvam esse espectro. Como: palestra sobre o que é autismo com profissional da área, conversa com alguém que tenha autismo sobre suas potencialidades e dificuldades, oficina sobre comunicação alternativa e tecnologia assistiva (nessa oficina pode ser proposta confecção de pranchas de comunicação e de TAs com os próprios alunos). Essas atividades teriam o intuito de familiarizar toda a comunidade escolar (professores, funcionários, direção, famílias, estudantes) com uma pessoa “diferente” e dessa forma, pode-se evitar possíveis bullyings.

- Outra ação é para caso os professores notarem em seus estudantes já um movimento de bullying. Pois, muitas vezes, é inevitável que isso aconteça infelizmente. Então, nós professores temos de estar sempre atentos e nos tornar pessoas acessíveis para que nossos alunos se sintam à vontade de conversar sobre suas tristezas. A proposta seria os professores, em suas turmas, pedirem que os estudantes formem um círculo com suas carteiras, fiquem todos em pé e vendados e escolham um lugar para sentar (é essencial que eles não saibam ao lado de quem eles vão se sentar). Após todos sentados e desvendados, o professor pede para que escrevam ou desenhem sobre algo bom da personalidade do colega sentado à direita. Dessa forma aleatória, os alunos não fazem atividade só sobre algum amigo mais próximo. E oportuniza que todos pensem e sejam pensados sobre atitudes boas de sua personalidade, e não aparência ou objetos que possuem.

Essas propostas foram pensadas inspiradas no filme, pois primeiramente foi percebido que Augie foi uma surpresa para muitos da escola e com isso gerou olhares julgadores por muito tempo, talvez se houvesse um projeto sobre diversidade isso não teria acontecido de forma tão intensamente negativa. E a segunda proposta foi pensada de acordo com o professor Brownie ter sugerido que no primeiro dia a turma falasse sobre si, então aproveitando essa ideia e fazendo algumas mudanças, foi pensado que durante o ano letivo, que toda a turma já se conhecesse, seria bom eles apontarem as qualidades uns dos outros.

E citando palavras da ilustre professora Bárbara Gonçalves, a escola é espaço potencializador de reflexão e aprendizado, é nesse lugar que promovemos pensamento crítico dos nossos estudantes não só dentro do contexto escolar, como também social. Projetos sobre/contra o bullying é oportunizar para esses sujeitos reflexões, indagações, percepções sobre a diversidade, valorização do outro, respeitar a todos, e, principalmente compreender as especificidades de cada um.

                                                          

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